quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Som Brasil - Marina Lima

Texto que escrevi no dia 30/06/2011





Raramente fico acordado até esse horário indigno para assistir ao programa. Aliás, nunca que assisto. Só assisti a esse mesmo, porque Marina merece. Gosto muito dela. Mas acho um absurdo esse horário para programas com bom conteúdo. Porque o que interessa pra Globo – e pra maioria das outras emissoras – é audiência, não conteúdo. Com isso, a qualidade dos programas televisivos tem caído cada vez mais e um programa bacana como Som Brasil sofre isso. Dá raiva. Com isso, perdem a MINHA audiência e a de muitos outros. Que, depois, vão assistir tudo no site da Globo ou no YouTube.

Bom, vamos falar do especial. Acho lindas aquelas vinhetas que fazem com a história do artista e com colagens de entrevistas. Adoro! Ficou muito lindo! O cenário – desde que o programa começou – não muda, então isso nem me surpreendeu. E que roupa linda Marina usou! Adorei!

O que me surpreendeu, pra começar, foi Marina! A voz dela tá um tiquim melhor, cês repararam? Que Deus abençoe e mantenha! Porque, no Clímax, a voz não tá bonita não. Adorei ela cantando “Fullgás” com Seu Jorge! Adoro Seu Jorge, acho que ele tem um puta vozeirão! Só não acho graça em suas composições, mas, como intérprete, ele é um ahazo. O arranjo que Marina colocou em “Fullgás” é alusivo à primeira gravação, de 1984. Ainda bem! Porque a gravação de 1996, no “Registros à meia-voz” é uma bela d’uma bosta. Ambas as canções que ela cantou com Sandra de Sá ficaram lindas. Mas foi “Virgem” que me surpreendeu. Não pelas vozes, porque, pra início de conversa, ambas já gravaram a canção. O que eu achei lindíssimo foi o arranjo novo que ela colocou na canção! É raro d’eu gostar quando Marina reinventa arranjo pra um clássico, sempre prefiro a versão mais antiga. Mas essa “Virgem” ficou ótima! Mas, claro, minha versão favorita é a de 1987. No fim, Marina cantou “Só não me venha mais com amor”. Nada de inédito!

Odiei muitíssimo as versões de Os Outros e Dani Black. Sou muito fã de Marina, não é qualquer um que me agrada cantando as canções dela não. Os Outros tiraram todo o âmago das canções que cantaram! Fizeram interpretações e arranjos muito irreverentes, mas muito negligentes com a versão original e a mensagem que MARINA quis passar. Já Dani Black até entendeu o espírito da coisa, mas achei-o muito country pra cantar Marina. Acho que ele se sairia melhor cantando Zélia Duncan. Como disse Fafá de Belém ontem no Twitter (não sei se ela estava referindo-se a isso), "É preciso cantar mal pra ser moderno?"

Mas quem me surpreendeu foi Letuce! Amei! Além de entender o espírito da coisa e criar um arranjo original – com inteligência, claro – ainda tem a voz linda e escolheu canções ótimas, e cada canção teve sua peculiaridade. Em “Charme do mundo”, ela cantou de um jeito muito bonito, com irreverência e mocidade na interpretação. Só não gostei muito do arranjo lesma-lerda que colocou, mas tá valendo. A menina canta bem! “Grávida”, pra mim, é música de gente doida. E foi loguinho isso que Letuce fez: colocou um arranjo psicodélico e insano. Aliás, a interpretação traz insanidade. Isso nunca senti com Marina, nem mesmo com Zélia e Simone, que já gravaram a canção em 2007. “Acontecimentos” foi a que menos gostei. Achei que a interpretação divergiu muito da canção original. Mas todos os arranjos foram um arraso! Um eletrônico elegante, com parcimônia. Aliás, esse o erro de muitos artistas: abusar de instrumentos elétricos. Letuce não faz isso! Que vá adiante e continue assim!

Agora, vou falar um negócio aqui: não concordo que “À francesa” (de Cláudio Zoli e Antônio Cícero), “Eu te amo você” (de Kiko Zambianchi), “Uma noite e meia” (de Renato Rocketh) e “Não sei dançar” (de Alvin L) tenham entrado. Porque, apesar dessas canções terem sido marcantes na voz de Marina, o intuito do programa é mostrar a obra do COMPOSITOR. Então, não concordo e ponto final. E quem não assistiu, clique aqui pra ver o que perdeu. E quem assistiu, clique aqui para ver o que perdeu.

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