quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Fafá

Pra este ano de 2012, tomei uma decisão meio louca: excluí meu Blog de maior audiência, MPB ê-mo-nos, onde eu comprazia em fazer coletâneas. Acabei arrefecendo na disposição em fazê-las e as que já tinham sido feitas estavam desorganizadas. Também, o Blog acabou tendo muita repercussão e eu não sei lidar com grande público (é um dos motivos pra que eu não queira divulgar este). No entanto, um novo amigo, Pedro, me pediu pra que eu selecionasse algumas canções de Fafá de Belém, pra que ele, assim, a conhecesse. Então, selecionei estas que não são seus maiores sucessos - apesar de algumas serem -, mas são algumas de suas canções que mais gosto. Desta vez, acho que fiz com mais esmero e aptidão. Divirta-se, Pedro!

01 O quereres (Caetano Veloso) - Gravada em 1993 no disco “Sobre todas as coisas”, esta versão de “O quereres” traz um arranjo mais rico e jovial que as demais.
02 Fado tropical (Chico Buarque e Ruy Guerra) – com Chico Buarque - Já tendo gravado em 1992 um disco de fados, Fafá volta ao estilo em 2005, no disco “Tanto mar”, com apenas canções de Chico Buarque, que participa desta faixa.
03 Coração do Agreste (Moacyr Luz e Aldir Blanc) - Tema da novela “Tieta” de 1989, esta canção foi gravada no mesmo ano. É uma das mais belas composições de Moacyr Luz.
04 Torturas de amor (Waldick Soriano) - Fafá sempre flertou com a música popular, como acontece nesta canção. No entanto, este bolero traz uma versão mais requintada. Gravada em 2000, rendeu até um clipe com a participação de José Wilker.
05 Ontem ao luar (Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara) - A única faixa dos anos 70 presente nesta seleção. Fafá com voz mais aguda, numa interpretação profunda do disco “Água”, de 1977 – um dos melhores da cantora.
06 Desabafo (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) (ao vivo) - Convidada em 2009 a participar do especial “Elas cantam Roberto”, Fafá fez uma interpretação visceral desta canção que foi escolhida pelo Rei especialmente pra ela.
07 Eternamente (Tunai e Sérgio Natureza) - Gravada originalmente por Gal Costa em 1983, esta gravação do disco “Coração brasileiro”, de 1998, foi tema da novela “Torre de Babel”, no mesmo ano.
08 Foi assim (Paulo André e Ruy Barata) - Fafá gravou este bolero em 1977, no disco “Água” e a canção foi tema da novela “Te contei”, no ano seguinte. Foi uma das canções que ajudou na difusão do trabalho da cantora, então em início de carreira. Esta versão é de 2000, do disco “Maria de Fátima Palha de Figueiredo”.
09 Só à noitinha (Frederico Valério, Amadeu do Vale e Raul Ferrão) - Em 1992, foi realizada em Portugal uma pesquisa sobre qual artista brasileiro os lusos gostariam de ouvir cantando fados. Fafá triunfou e gravou o disco “Meu fado”, onde esta canção foi gravada; um dos melhores momentos do disco.
10 Bastidores (Chico Buarque) - Sucesso na voz de Cauby Peixoto, esta gravação do disco “Tanto mar”, de 2005, traz mais uma grande interpretação.
11 Devolvi (Adelino Moreira) - Mais uma canção popular. E desta vez, também traz um arranjo requintado, do disco “Maria de Fátima Palha de Figueiredo”, de 2000.
12 Peguei um ita no Norte (Dorival Caymmi) / O trenzinho do caipira (Heytor Villa-Lobos) - Gravada no “Songbook” de Dorival Caymmi em 1993, a canção frisa a origem paraense da cantora. A canção de Villa-Lobos é cantada sem a letra de Ferreira Gullar; ainda assim, ficou lindo!
13 Saudades de minha terra (Goiá e Belmonte) (ao vivo) - Famosa toada, gravada por Fafá em um disco da série “Um barzinho, um violão” em 2009.
14 Sertaneja (René Bittencourt) / Você vai gostar (Elpídio Santos e René Bittencourt) - Além do popular, Fafá também flerta bastante com a música caipira. O que acontece nesta requintada versão de “Lá no pé da serra”, de 1993.
15 Brilho dental (Carlos Tê e Rui Veloso) - Escrita por compositores portugueses. Esta gravação de estúdio é um dos bonus tracks do disco “Ao vivo”, de 2007.
16 Ave Maria (Vicente Paiva e Jayme Redondo) - Sucesso de Dalva de Oliveira que Fafá cantou para o Papa João Paulo II em 1997, em sua visita ao Brasil. O single foi lançado logo em seguida.


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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

HOMEM SEM NOME

Um dia o sujeito tem amigos. São poucos, escolhidos a dedo pelo coração e pelo destino. O sujeito experimenta a temperatura rara de uma grande amizade. Ela parece não ter fim. A promessa de durar pra sempre é bonita. Mas um dia os amigos mudam. Tudo muda. Os olhos ainda se procuram. Só que já não enxergam o que viam antes. Ou então é o coração que já não sente. Ou é o destino que se enganou. Só há velhos rostos desgastados pelo tempo. Gente que deixou de ser. O sujeito faz novos amigos. Mas um dia estes também vão embora. Desaparecem pelas encostas da estrada. O sujeito quer uma âncora, um espelho, um eixo. O sujeito deseja um lugar para ir, chegar, depor as armas; alguém para estar ao lado. Um onde para se deixar ficar. O sujeito quer desistir. Então ele encontra o amor da carne, a sorte grande. A pessoa que é a maior de todas. A cara-metade, o que muitos procuram e poucos encontram. O sujeito regozija. Tesouro achado, ele pensa. O parâmetro que ordena a vida, a coisa que dá sentido a todas as outras coisas. Ele, um dos eleitos. Mas essa pessoa também vai embora. Um dia ele a procura à noite, para dormir protegido, e a cama está vazia. O quarto, a casa, a vida. Plenos de desespero e solidão. O vão eterno, aquilo que é impossível preencher. Todas as palavras ditas, confessas, os gestos dedicados, sinceros, os olhares de devoção, os sentimentos indizíveis. Tudo acabado, levado, perdido. Um dia aquela pessoa fecha os olhos e o sujeito nunca mais enxerga a luz daquele olhar, aquela claridade que era seta tão fundamental. A vida virada em trevas. O para sempre é finalmente uma ideia tola. E a dureza do nunca mais chega como estaca cravada no meio da cara. O sujeito talvez tenha feito filhos. Esperanças que ficam, ele pensa. Rastros de vida. Mas eles também vão embora. Filhos já nascem idos. É mera questão de tempo. Prazo de firmarem suas próprias pernas. Saem pelo mundo à cata de sua própria felicidade ou na fuga de suas próprias dores. Então o sujeito percebe que não há pouso possível. Não há ninguém além dele mesmo. Ninguém. Nada. A realidade intolerável. Toda existência é única e só. Pelo amor que houver, pela vontade mais desesperada, por todas as tentativas mútuas de transcendência e prorrogação. Uma pessoa é sempre um ser sozinho, preso em si mesmo, finito. O sujeito abraça sua sina. Está velho. Não tem ninguém. Agora ele também está indo embora. O tempo passa lento, devorando aos poucos o que resta, mastigando. Não há refúgio. Um vazio cobre tudo, engole a dor. Tudo vai ficando para trás: o realizado e o não feito, os orgulhos e as vergonhas, o que se tenta lembrar e o que se quer esquecer. O fim. Negro, imenso. Quase um conforto. Não existem repostas – de que valeram tantas perguntas? As palavras ácidas, maléficas. De que vale tudo o que foi visto, doído, gozado, aprendido, dito e desdito? Vale nada. A vida é areia e deserto, o sujeito compreende afinal. E chega a sua vez. Ele vai embora também. Termina. Ficam as fotos, amarelecendo. Os filhos cultuam, os netos sabem, os bisnetos esquecem e para os filhos de seus bisnetos o sujeito já é ninguém. Não há mais nome, respeito, lembrança, alusão. O que sobra do sujeito, o registro derradeiro de sua passagem pela vida, é um rosto desconhecido, amarrotado, cravado em papel fotográfico duro, abandonado entre dezenas de outras caras igualmente sem significado, perdidas no tempo. Um dia as fotografias velhas são jogadas fora. Então já não há vestígio. O sujeito some. Vira lixo. Depois vira nada. É apagado da memória do mundo. Como se jamais tivesse existido. Já não faz diferença alguma, não importa a ninguém. Esquecimento rotundo, completo. O fim absoluto. Negro, imenso.


Adriano Silva, 1999.

domingo, 25 de setembro de 2011

"Seguindo o chamado"

Mais um texto escrito pro EnTHulho. Este foi sob homenagem a Marina Lima no aniversário dela. Cliquem aqui pra ler.

Abraços,
Jardel.

"Só vou gostar de quem gosta de mim"

Texto que escrevi para o EnTHulho Musical em 19/04/2011. Clique aqui para ler.

É como eu digo, gente: "Eu sou de quem me quer. Quem não me quer não me merece. Não vou jogar pérolas aos porcos."

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Som Brasil - Marina Lima

Texto que escrevi no dia 30/06/2011





Raramente fico acordado até esse horário indigno para assistir ao programa. Aliás, nunca que assisto. Só assisti a esse mesmo, porque Marina merece. Gosto muito dela. Mas acho um absurdo esse horário para programas com bom conteúdo. Porque o que interessa pra Globo – e pra maioria das outras emissoras – é audiência, não conteúdo. Com isso, a qualidade dos programas televisivos tem caído cada vez mais e um programa bacana como Som Brasil sofre isso. Dá raiva. Com isso, perdem a MINHA audiência e a de muitos outros. Que, depois, vão assistir tudo no site da Globo ou no YouTube.

Bom, vamos falar do especial. Acho lindas aquelas vinhetas que fazem com a história do artista e com colagens de entrevistas. Adoro! Ficou muito lindo! O cenário – desde que o programa começou – não muda, então isso nem me surpreendeu. E que roupa linda Marina usou! Adorei!

O que me surpreendeu, pra começar, foi Marina! A voz dela tá um tiquim melhor, cês repararam? Que Deus abençoe e mantenha! Porque, no Clímax, a voz não tá bonita não. Adorei ela cantando “Fullgás” com Seu Jorge! Adoro Seu Jorge, acho que ele tem um puta vozeirão! Só não acho graça em suas composições, mas, como intérprete, ele é um ahazo. O arranjo que Marina colocou em “Fullgás” é alusivo à primeira gravação, de 1984. Ainda bem! Porque a gravação de 1996, no “Registros à meia-voz” é uma bela d’uma bosta. Ambas as canções que ela cantou com Sandra de Sá ficaram lindas. Mas foi “Virgem” que me surpreendeu. Não pelas vozes, porque, pra início de conversa, ambas já gravaram a canção. O que eu achei lindíssimo foi o arranjo novo que ela colocou na canção! É raro d’eu gostar quando Marina reinventa arranjo pra um clássico, sempre prefiro a versão mais antiga. Mas essa “Virgem” ficou ótima! Mas, claro, minha versão favorita é a de 1987. No fim, Marina cantou “Só não me venha mais com amor”. Nada de inédito!

Odiei muitíssimo as versões de Os Outros e Dani Black. Sou muito fã de Marina, não é qualquer um que me agrada cantando as canções dela não. Os Outros tiraram todo o âmago das canções que cantaram! Fizeram interpretações e arranjos muito irreverentes, mas muito negligentes com a versão original e a mensagem que MARINA quis passar. Já Dani Black até entendeu o espírito da coisa, mas achei-o muito country pra cantar Marina. Acho que ele se sairia melhor cantando Zélia Duncan. Como disse Fafá de Belém ontem no Twitter (não sei se ela estava referindo-se a isso), "É preciso cantar mal pra ser moderno?"

Mas quem me surpreendeu foi Letuce! Amei! Além de entender o espírito da coisa e criar um arranjo original – com inteligência, claro – ainda tem a voz linda e escolheu canções ótimas, e cada canção teve sua peculiaridade. Em “Charme do mundo”, ela cantou de um jeito muito bonito, com irreverência e mocidade na interpretação. Só não gostei muito do arranjo lesma-lerda que colocou, mas tá valendo. A menina canta bem! “Grávida”, pra mim, é música de gente doida. E foi loguinho isso que Letuce fez: colocou um arranjo psicodélico e insano. Aliás, a interpretação traz insanidade. Isso nunca senti com Marina, nem mesmo com Zélia e Simone, que já gravaram a canção em 2007. “Acontecimentos” foi a que menos gostei. Achei que a interpretação divergiu muito da canção original. Mas todos os arranjos foram um arraso! Um eletrônico elegante, com parcimônia. Aliás, esse o erro de muitos artistas: abusar de instrumentos elétricos. Letuce não faz isso! Que vá adiante e continue assim!

Agora, vou falar um negócio aqui: não concordo que “À francesa” (de Cláudio Zoli e Antônio Cícero), “Eu te amo você” (de Kiko Zambianchi), “Uma noite e meia” (de Renato Rocketh) e “Não sei dançar” (de Alvin L) tenham entrado. Porque, apesar dessas canções terem sido marcantes na voz de Marina, o intuito do programa é mostrar a obra do COMPOSITOR. Então, não concordo e ponto final. E quem não assistiu, clique aqui pra ver o que perdeu. E quem assistiu, clique aqui para ver o que perdeu.

Dispepsia no ar!

Tenho cinco Blogs (seis, contando com este) (sendo dois inativos), mas nenhum deles se adequa ao conteúdo que virá neste: opinião. Nos outros Blogs, evito ficar falando o que penso. Apesar de evitar isso, acabo, como todo bom aquariano, falando coisas desnecessárias (quiçá polêmicas). É este meu objetivo aqui: falar. E, exatamente por isso, não perderei tempo divulgando este Blog como divulgo os outros. Gosto muito do ato de divulgação, mas neste caso, além de desnecessário, não é recomendável. Será um Blog bastante simples, com apenas textos meus e sem obrigação de postar. Quando eu tiver texto, eu posto. E só!

SIGAM-ME OS BONS!!!